terça-feira, 11 de março de 2008

CONTOS DE FADAS













" Eu me perguntei: "Que mito estou vivendo?" e descobri que não sabia...Por isso decidi conhecer o "meu" mito, e encarei esse desafio como a maior das tarefas...Eu simplesmente precisava saber que mito inconsciente ou pré-consciente estava me formando." (C.G.Jung, The PortableJung)
Qual meu conto de fadas preferido?
Começava assim: "Numa casinha branca, lá no Sítio do Pica-pau amarelo..."
Eu tinha seis anos, meu nome:Lúcia, a menina do nariz arrebitado. Tinha a boneca de pano Emília, o Pedrinho, Visconde de Sabugosa, Dona Benta, tia Nastácia e seus quitutes....Fantasia e Realidade se mesclavam e eu ia descobrindo um mundo novo que falava de aritmética, gramática, história, de folclore, com o saci; de Mitologia, com os Doze trabalhos de Hércules e o Minotauro e também as estórias da tia Nastácia e o Reino das Águas Claras. Naquela época, descortinava-se para mim um mundo repleto de possibilidades.
A premiada escritora infanto-juvenil, Giselda Laporta Nicolelis, em seu livro (para adultos), nos mostra através de uma abordagem junguiana, a importância de se conhecer o nosso conto de fadas preferido e o significado dele para nossas vidas. Nossos contos preferidos nos possibilitam o autoconhecimento e nos proporcionam uma diretriz para a forma com que vamos nos relacionar com o mundo.
O mito nos ajuda em nossa jornada pela vida . "Sempre que os homens procuram por algo sólido que sirva de base para suas vidas, escolhem não os fatos de que o mundo está cheio, e sim os mitos criados em eras remotas pela imaginacão" (J.Campbell - primitive Mythology).
Desde épocas remotas, os homens reuniam-se em volta de fogueiras, contando histórias que foram tecendo os fios dos mitos e das lendas. Eram histórias sobre a criação do mundo, sobre os deuses e sobre os porquês de cada coisa que existe no mundo. Tudo isso servia para que as pessoas tivessem um norteamento, um mapa para cumprirem suas próprias jornadas.
Hoje, com todo o avanço tecnológico que temos `a disposição, com a TV, Rádio, Cinema, Internet, Telefonia, etc., os mitos estão o tempo todo presentes em nossa vida, mas, na correria do dia-a-dia não temos tempo de prestarmos muita atenção a eles, pois tudo tem que ser muito rápido, descartável, que eles acabam se tornando imprecisos e jogados para o mais profundo de nosso Inconsciente e essas histórias e mitos acabam sendo consideradas como fazendo parte só do mundo infantil. A falta de tempo para estarmos `a volta de uma fogueira, caminhando sobre os fios tecidos pelo mundo mítico tem como consequência uma jornada pela vida de forma muito confusa, onde poucos conseguem sair como heróis.
"O herói é o homem ou a mulher que supera, através de muita luta, as limitações de sua história oficial ou pessoal, assumindo formas humanas normais de validade universal...O Herói morre como um homem moderno, mas renasce como o homem eterno e universal".(J.Campbell - O Herói de mil faces)
Aquele que não consegue empreender a jornada do herói e se perde no meio do caminho, acaba se tornando vulnerável `a ditadura do sistema econômico, da moda, do poder, do sexo, da beleza ,perdendo a sua singularidade ,a consciência daquilo que ele é em sua essência. As consequências disso vemos diariamente: stress crônico, doenças do mundo moderno, dependências químicas, bulimia, anorexia, guerras e violências de toda ordem.
É claro que vivemos em uma sociedade e que a aprovação social é muito importante para nós, mas, para sermos pessoas plenamente realizadas, é preciso também que façamos a jornada do herói, que se compõe de muita luta e coragem para que possamos nos conhecer e ampliarmos nossa consciência conhecendo os verdadeiros desejos de nossa alma.
" Não se contente com histórias, com as experiências ocorridas com outras pessoas. Desenvolva seu próprio mito" (Rumi).
Mais que um convite para que possamos acender nossa fogueira e ficarmos `a volta dela contando os "causos", para encontrarmos orientação para iniciarmos a nossa jornada do herói, esse texto é uma homenagem a Monteiro Lobato (com suas obras para o público infantil), a Giselda Laporta Nicolelis, com suas obras para o público infanto-juvenil, com inúmeras palestras em escolas públicas e particulares, a Walt Disney e a todos os escritores, cineastas, poetas e contadores e cantadores de histórias carregadas de mitos, lendas e magias, que ajudam a salvar o sonho e reencantar o mundo.
"...Cada um de nós compõe a sua história e cada Ser em si carrega o dom de ser feliz..." (Almir Sater)

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