quinta-feira, 24 de abril de 2008

Caso Isabella: O despertar de uma nova consciência moral





"Hoje, como em todas as épocas, é necessário que o homem não feche os olhos para o perigo do mal que está à espreita dentro dele mesmo. Infelizmente, esse perigo é demasiado real, e por isto, a psicologia deve insistir na realidade do mal e refutar qualquer definição que deseje conceber o mal como algo sem importância ou mesmo como não existente." (Jung, C.G. - AION - Estudos sobre o Simbolismo do Si-mesmo - Vol.IX/2 -Ed.Vozes, 1982)

Eu não poderia deixar de escrever alguma coisa sobre o caso Isabella Nardoni, que está causando comoção em S.Paulo, desde aquela fatídica noite de 29 de março de 2008 e que tem me tocado de uma forma especial, pois acredito que tudo o que acontece tem um significado maior, um propósito, que cabe a nós entendê-lo.
Vejo essa criança como a representante da crianca ferida em cada um de nós. A criança que não foi protegida por quem a deveria proteger e, em cada um de nós existe a suspeita, o fantasma a espreitar em cada esquina, e até dentro de nossos lares que não são mais ambientes seguros para as criancas, nem para nossas crianças internas.
Quem lida com crianças pequenas tem sido questionado por elas: " Será que meu pai pode me matar?" - ou, crianças de pais separados, que moram com suas mães, quando vão passar o final de semana na casa do pai, se há uma namorada nova ou uma nova mulher, como ficam essas crianças? E, como se sentem suas mães? E como se sentem essas "madrastas"?
Essa morte tão cruel veio tirar os véus de ilusão . Veio desmascarar a família e a sociedade. Veio revelar a doença familiar e social que ninguém quer enxergar - daí a ânsia em se identificar o(s) culpado(s) o mais rapidamente possível, para que possamos dizer que o mal está lá fora e não dentro de nós.
Este caso, pela comoção que vem causando, nos dá a exata noção da missão da pequena Isabella: nos proporcionar a oportunidade de repensarmos sobre educacão, responsabilidades, legislacão, valores humanos, com abordagens sociológicas, psicológicas, culturais, jurídicas, religiosas, etc, etc., pois somos obrigados agora a enxergar que o mal existe realmente e não podemos negar que existem outras inúmeras criancas que sofrem todos os tipos de abusos e violências dentro de seus próprios lares. E, com esse assunto em nossa consciência, já temos um primeiro passo em direção à busca de solucões.
Tudo já passou das medidas, o copo já transbordou e temos que fazer alguma coisa para contribuir com pessoas que já estão há muito trabalhando para isso apesar das dificuldades com que se deparam.
O que me chamou a atencão nesse ultimos dias, foi a quantidade de figuras públicas, promotores públicos renomados, advogados, peritos de diversas áreas, manifestando-se através de programas de TV mostrando seu repúdio e indignação `as leis arcaicas que regem nossa sociedade brasileira do terceiro milênio, e, convocando abertamente o Poder Legislativo a cumprir o papel que lhes cabe. Somos brasileiros, acreditamos que somos abençoados por Deus por vivermos nesse imenso país que abriga uma diversidade de povos e culturas, mas estamos eternamente "deitados em berço esplêndido", sem percebermos que é ainda no berço que devemos começar a cuidar dos filhos e a ensiná-los valores morais que dignificam a pessoa e a tornam capaz de conviver de forma adequada no seio da sociedade. É hora de acordarmos e agirmos. O berço já não está tão esplêndido e, se não tomarmos cuidado, nem ele será mais nosso, haja vista o que acontece com a Amazônia.
A etiologia da violência se deve a uma multiplicidade de fatores: econômico, social, cultural, político,etc, mas, se examinarmos o assunto com mais seriedade, veremos que a base de tudo está na grande discrepância entre o desenvolvimento moral e o tecnológico.
A educacão e o desenvolvimento moral sempre estiveram a cargo da família, mas esta anda em crise, anda meio desestruturada. Formam-se e desfazem-se famílias sem o aprofundamento das relações e, aqueles que deveriam cuidar da educação das crianças na primeira infância, acabam delegando essa tarefa a outros, por falta de tempo, por necessidade, por falta de estrutura emocional, por egoísmo ou por comodismo. Com isso, as crianças sentem-se perdidas, pois esses cuidadores das crianças, nem sempre possuem a qualificacão necessária para tal tarefa.
O resultado é que as criancas ficam soltas, sem direção e sem estrutura para aprenderem os valores morais e as responsabilidades; ficam sujeitas `as influências dos excessos de apelos das propagandas, internet e até mesmo nas ruas e nas imediações de suas escolas, onde sempre há alguém mal intencionado prestando atenção a elas.
Sem uma base moral, torna-se muito difícil que essas crianças tenham condições de fazerem escolhas adequadas à vida que desejamos a elas e, quando vêm os problemas , acabam os pais indo resolver a situação, talvez movidos por um sentimento de culpa, e com isso, elas acabam sentindo que, sempre que houver problemas, o pai ou a mãe resolvem e com isso, não aprendem a assumir a responsabilidade por seus atos.
Qual seria a saída para podermos reverter esse quadro sombrio que se nos apresenta?
Existem diversas iniciativas, tanto públicas, como privadas, que vem desenvolvendo muitos trabalhos nesse sentido, mas que encontram algumas dificuldades, como a falta de apoios, incentivos e falta de espaço na mídia pois, o que tem dado mais Ibope são as notícias completas sobre a venda por R$ 1,00 das cuecas usadas por um megatraficante, responsável pela destruição de milhares de vida ou todos os detalhes sobre os reality-shows. Talvez seja por isso, que os indiciados do caso Isabella tenham aparecido na TV como se estivessem participando de um Reality-show tentando decidir quem é que vai hoje para o paredão.
"- Ora bolas!!! Me poupem!!!!" . É mais que hora de nos conscientizarmos de nossas responsabilidades sobre a paz ou a guerra que há no mundo. A paz deve começar dentro de nós.
Vamos acordar , arregaçar as mangas e sair ao encontro de quem também quer um mundo melhor, mais humano e justo. Vamos construir uma cultura de paz. Vamos sair da porta da casa dos outros e deixar de acusá-los pelas misérias que há no mundo. Vamos orar e vigiar, a nós mesmos, à nossa consciência , para que possamos ter primeiramente a paz dentro de nós, para sermos, para as nossas crianças, o exemplo da Paz que queremos para o mundo.
Vamos ACORDAR!!!!
Eu quero acreditar que há realmente o despertar de uma nova consciência moral; que há a disposição da sociedade para construir um mundo melhor, caso contrário, passados 2008 anos, ainda não teremos entendido a mensagem de amor que o grande Mestre nos deixou e, corremos o risco (caso ele apareça entre nós) de apedrejá-lo e de o crucificarmos novamente, demonstrando que tudo foi em vão e que não conseguimos dar um passo em direção `a nossa evolução espiritual.

(A elaboração deste texto contou com a colaboração do Dr.Francisco Coelho Filho, da Clínica Francisco)

sábado, 19 de abril de 2008

Xamanismo, Beija-Flor e Cura

Março e Abril têm sido, para mim, meses muito ricos de experiências de amor e cura.
O Dr. Francisco Coelho Filho, de forma muito amorosa, ofereceu-me a possibilidade de utilizar o espaço dele para meus atendimentos de Psicoterapia e de Reiki. Fiquei extremamente feliz, pois esse espaço é repleto de uma energia sutil de amor e cura.
Desde que conheci o Francisco, nossas trocas de experiências têm sido muito construtivas e senti vontade de presente-á-lo com uma placa residencial em mosaico. Quando ele recebeu a placa, perguntou-me porque eu havia escolhido a figura do beija-flor. Naquele momento respondi que, na verdade, eu não havia pensado sobre o significado dessa figura, mas a pergunta ficou ecoando em minha mente.
No dia 12 de abril, participei da II Jornada Xamânica, na Casa do Consolador, que é um espaço espiritualista que frequento e que tem também uma forte energia de amor e cura. Nessa Jornada Xamânica assisti palestras e participei de vivências com três Xamãs: Vitor Hugo - "A Trilha do Curador", Cyro Leão -" O Caminho do Coração" e dra. Monica de Medeiros - "Animal de Poder" e, com a informação sobre o significado dos animais de poder, fiquei sabendo que o beija flor tem uma simbologia de mensageiro da cura, de amor romântico, claridade, graça, sorte, suavidade. Compreendi então que essas informações já estavam comigo, de forma intuitiva, quando escolhi a figura do beija flor para aquela placa em mosaico e que essa Jornada Xamânica da qual eu estava participando era o momento de relembrar não só essa informação, mas também todo um caminho xamânico que decerto já vivenciei em algum tempo e lugar do qual não tenho consciência, mas que ecoa forte dentro de mim, quando se inicia o toque de um tambor...
Kaká Werá Jecupé, um Xamã brasileiro, gravou um CD com cantos e discursos mágicos da tradição indígena brasileira dos tupi-guaranis e, na faixa 10, o canto Maino-I nos fala que o beija-flor foi uma das primeiras formas de manifestação do Pai-criador.
Agora que tenho consciência do simbolismo do beija-flor, espero que todas as pessoas que passem por aquela rua da Vila Madalena e que visualizem a placa no muro da Clínica, possam receber a seguinte mensagem:
" Caso a tristeza se faça presente em sua vida, procure preencher seu coração com a alegria do beija-flor. Não deixe o lado sombra tomar conta de você. E, se sentir que seu coração se tornou duro, magoado e depressivo, procure andar pelos campos, pelas matas, entre as flores e sinta os perfumes e odores que tanto atraem o beija -flor e lhe proporcionam tanta alegria..."
Paz, Amor, Luz para todos!!!