sábado, 28 de novembro de 2009

VENHA DOBRAR MIL TSURUS - Mudança de local

O Evento: Venha dobrar mil tsurus pela Paz mudou de local, por motivos de força maior.
O Evento agora será na: Rua João Moura, 1453 das 10:00 as 13:00hs

Além das dobraduras haverá Oficinas com as crianças, Pocket shows c/ duplas - voz e violão e, `as 12:00hs apresentação da Orquestra do Projeto Guri.

Mais informações: http://paznadiferenca.ning.com
http://twitter.com/paznadiferenca
http://marchamundial.org.br

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

MIL TSURUS




MIL TSURUS PELA PAZ




Sadako Sasaki tinha dois anos de idade quando ela, sua mãe e seu irmão sobreviveram a uma bomba atomica em Hiroshima. Enquanto fugiam em direção ao rio Oto, no caminho, foram encharcados pela chuva preta radioativa que caiu naquele dia. Até os doze anos de idade ela teve seu desenvolvimento normal até que apresentou leucemia devido às radiações. Quando estava hospitalizada recebeu a visita de sua melhor amiga que lhe contou a lenda do tsuru e propôs que ela dobrasse os mil tsurus na intenção de obter cura. Ela começou a dobrar os tsurus, mas sua enfermidade agravava-se a cada dia e então ela disse aos tsurus: "Eu escreverei Paz em suas asas e você voará o mundo inteiro."


Em 25 de outubro de 1955 ela faleceu e tinha conseguido fazer apenas 964 tsurus. Seus colegas de classe fizeram os restantes a tempo para seu enterro e iniciaram uma campanha nacional para construir um monumento em sua memória e de todas as crianças mortas ou feridas pelos efeitos da bomba.


Estudantes de mais de 3000 escolas do Japão e de 9 outros países contribuíram e, em 5 de outubro de 1958, o Monumento de Paz das Crianças foi inaugurado no Parque da Paz de Hiroshima. Todos os anos no Dia da Paz (06/08) pessoas do mundo inteiro enviam tsurus de papel para o parque. Desde então o tsuru de papel tornou-se um símbolo internacional do movimento para desarmamento nuclear.


Essa história não só representa a paciência, coragem, esperança e ativismo criativo em face à dor e à morte, como também representa o poder de crianças, que trabalhando juntas por uma causa comum, abriram um canal criativo para expressão pacífica do medo sobre a guerra e sobre a esperança por um mundo melhor.


Conheci essa história com a equipe do Projetos Terapeuticos ( http://www.projetosterapeuticos.com.br/) que promove o Evento Paz na Diferença já há alguns anos. Com eles também aprendi a fazer Tsurus numa oficina de Serigrafia e Tsurus. As fotos acima são de "Tsurus-convites" para o evento que acontecerá no dia 29/11/09 das 10:oohs às 14:00hs, na Praça Horácio Sabino (Pinheiros) .


Venha prestigiar esse evento e compor a "massa crítica" necessária para que a Paz e a Não violência possam ser cada vez mais constantes nas relações entre as pessoas. Vamos salvar o sonho e reencantar o mundo...











segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Momentos de Decisão

Cada um de nós compõe a sua história e cada ser em si carrega o dom de ser capaz de ser feliz....” (Almir Sater)



Tudo o que fazemos ou deixamos de fazer em nossas vidas depende de nossas escolhas. Desde a hora em que acordamos até a hora em que nos deitamos estamos fazendo escolhas.

_ “Levantar cedo ou não? – Tomar banho de manhã? – Com que roupa vou?”

E todas essas nossas escolhas vão tecendo a trama de nossas vidas e formatando nossos destinos.

Somos responsáveis, sim, por todas nossas escolhas, desde as mais simples até às mais complexas. Até mesmo não fazer nada ou deixar que outros escolham por nós, depende de nossas escolhas.

Dentre as várias decisões que temos que tomar, uma das que deveria ser mais cercada de cuidados é a escolha profissional, pois esta geralmente ocorre quando ainda não estamos maduros o suficiente para tal tarefa. É muito importante que reflitamos sobre isso porque é neste exato ponto que começamos a escrever nosso futuro de sucessos e realizações ou, de fracassos, enganos e frustrações.

Quando ainda estamos na fase da adolescência, aprendendo a nos conhecer e a conhecer o mundo, nos vemos diante da difícil tarefa de escolher uma carreira.

Alguns, já desde cedo, conseguem sentir uma certa orientação interna para determinada carreira; outros, por influências familiares ou sociais, acreditam saber o que escolher, mas a grande maioria sente-se perdida num mundo de possibilidades e de novas carreiras que aparecem a cada dia. Nesse cenário todo composto por intermináveis interrogações, o jovem se vê numa roda viva, com cobranças familiares, sociais, escolares e até suas próprias cobranças com a necessidade premente de fazer a melhor escolha até que se encerre o prazo para a inscrição para o próximo vestibular. E esta escolha acaba sendo feita de maneira meio precipitada e, na maioria das vezes, sem muita reflexão por parte do aluno e de seus familiares.

Terminada toda essa maratona, os jovens e suas famílias respiram aliviados e milhares e milhares de vagas pelo pais afora são preenchidas e começa-se então, uma nova etapa.

Acreditando que seus problemas acabaram, muitos jovens nem se dão conta de que é justamente agora que seus problemas estão começando. Para muitos, aquilo que eles estarão encontrando nos novos cursos está muito longe daquilo que eles imaginavam encontrar.

De acordo com um estudo realizado pelo Instituto Lobo para o Desenvolvimento da Educação, da Ciência e Tecnologia, baseado em dados do INEP para o período de 2001 a 2005, a taxa anual media de evasão no ensino superior brasileiro foi de 22%, mostrando uma tendência de crescimento. Essa evasão, segundo um artigo publicado no site www.univasc.com.br , baseada nos dados do Instituto Lobo, indica que, além dos motivos financeiros, a falta de conhecimentos sobre a carreira escolhida é o que leva muitos jovens a abandonarem os cursos. Além de causar prejuízos financeiros para as instituições, estimada na ordem de muitos bilhões de reais, há também os prejuízos de ordem emocional tais como: sensações de frustração, abandono, derrota e, às vezes, até depressão.

Quando a evasão ocorre pelo fator financeiro já existem, em algumas universidades, medidas estratégicas para conter esses números e segurarem os alunos na Instituição. Mas, e quando a evasão está relacionada a uma escolha antecipada de uma profissão, quando o aluno não está suficientemente amadurecido e preparado para tal escolha?

Além do alto índice de evasão escolar nas Universidades, há também aqueles que ainda estudam mais alguns semestres e depois desistem e também há os que acabam terminando os cursos, mesmo sentindo que não foi a escolha mais adequada a eles. Em atendimentos psicológicos realizados em consultório, aonde ouvi muitos relatos de pessoas que apresentavam problemas emocionais e, até mesmo comprometimentos físicos decorrentes de sofrimentos por más escolhas profissionais, levaram-me a uma reflexão sobre o desenvolvimento de um trabalho que pudesse ajudar as pessoas a terem uma possibilidade de uma escolha mais adequada de uma carreira.

O Serviço de Orientação Profissional e de Reorientação de carreira, em uma abordagem clínica, que atualmente ofereço em meus atendimentos em consultório, tem se mostrado muito produtivo na medida em que se torna um instrumental a mais que o jovem pode se utilizar para se conhecer melhor, descobrir suas potencialidades , aptidões, motivações e também obter informações atualizadas sobre os diversos cursos existentes, as diversas carreiras e o mercado de trabalho. E, para aquele que já é formado e já está inserido no mercado de trabalho e apresenta muitas dúvidas, incertezas, desmotivação, este Serviço de Orientação Vocacional e Reorientação de Carreira também tem auxiliado muito esses profissionais a se conhecerem melhor, descobrir suas potencialidades e competências e conseguirem uma segurança maior e maiores condições de desenvolvimento criativo que os ajudarão a lidar e a superar mais positivamente os diversos momentos e desafios com os quais todos nos deparamos no curso de nossas vidas.

Embora não existam fórmulas milagrosas que nos darão as respostas precisas acerca de nossos futuros, é certo que existe sim, a possibilidade de buscarmos orientação através dos vários profissionais qualificados para isso em diversos consultórios e instituições voltados para um trabalho sério de Orientação Profissional. Esses trabalhos de Orientação são importantes pois levam as pessoas a ampliarem suas consciências no sentido de buscarem um entendimento maior de quem são, quais os anseios de suas almas e a conhecerem suas potencialidades, aptidões, competências, levando-as a escolhas mais adequadas de carreiras que possibilitarão que elas tenham mais saúde e uma melhor qualidade de vida através da realização em seus aspectos físico, mental, emocional, espiritual e financeiro.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Caso Isabella: O despertar de uma nova consciência moral





"Hoje, como em todas as épocas, é necessário que o homem não feche os olhos para o perigo do mal que está à espreita dentro dele mesmo. Infelizmente, esse perigo é demasiado real, e por isto, a psicologia deve insistir na realidade do mal e refutar qualquer definição que deseje conceber o mal como algo sem importância ou mesmo como não existente." (Jung, C.G. - AION - Estudos sobre o Simbolismo do Si-mesmo - Vol.IX/2 -Ed.Vozes, 1982)

Eu não poderia deixar de escrever alguma coisa sobre o caso Isabella Nardoni, que está causando comoção em S.Paulo, desde aquela fatídica noite de 29 de março de 2008 e que tem me tocado de uma forma especial, pois acredito que tudo o que acontece tem um significado maior, um propósito, que cabe a nós entendê-lo.
Vejo essa criança como a representante da crianca ferida em cada um de nós. A criança que não foi protegida por quem a deveria proteger e, em cada um de nós existe a suspeita, o fantasma a espreitar em cada esquina, e até dentro de nossos lares que não são mais ambientes seguros para as criancas, nem para nossas crianças internas.
Quem lida com crianças pequenas tem sido questionado por elas: " Será que meu pai pode me matar?" - ou, crianças de pais separados, que moram com suas mães, quando vão passar o final de semana na casa do pai, se há uma namorada nova ou uma nova mulher, como ficam essas crianças? E, como se sentem suas mães? E como se sentem essas "madrastas"?
Essa morte tão cruel veio tirar os véus de ilusão . Veio desmascarar a família e a sociedade. Veio revelar a doença familiar e social que ninguém quer enxergar - daí a ânsia em se identificar o(s) culpado(s) o mais rapidamente possível, para que possamos dizer que o mal está lá fora e não dentro de nós.
Este caso, pela comoção que vem causando, nos dá a exata noção da missão da pequena Isabella: nos proporcionar a oportunidade de repensarmos sobre educacão, responsabilidades, legislacão, valores humanos, com abordagens sociológicas, psicológicas, culturais, jurídicas, religiosas, etc, etc., pois somos obrigados agora a enxergar que o mal existe realmente e não podemos negar que existem outras inúmeras criancas que sofrem todos os tipos de abusos e violências dentro de seus próprios lares. E, com esse assunto em nossa consciência, já temos um primeiro passo em direção à busca de solucões.
Tudo já passou das medidas, o copo já transbordou e temos que fazer alguma coisa para contribuir com pessoas que já estão há muito trabalhando para isso apesar das dificuldades com que se deparam.
O que me chamou a atencão nesse ultimos dias, foi a quantidade de figuras públicas, promotores públicos renomados, advogados, peritos de diversas áreas, manifestando-se através de programas de TV mostrando seu repúdio e indignação `as leis arcaicas que regem nossa sociedade brasileira do terceiro milênio, e, convocando abertamente o Poder Legislativo a cumprir o papel que lhes cabe. Somos brasileiros, acreditamos que somos abençoados por Deus por vivermos nesse imenso país que abriga uma diversidade de povos e culturas, mas estamos eternamente "deitados em berço esplêndido", sem percebermos que é ainda no berço que devemos começar a cuidar dos filhos e a ensiná-los valores morais que dignificam a pessoa e a tornam capaz de conviver de forma adequada no seio da sociedade. É hora de acordarmos e agirmos. O berço já não está tão esplêndido e, se não tomarmos cuidado, nem ele será mais nosso, haja vista o que acontece com a Amazônia.
A etiologia da violência se deve a uma multiplicidade de fatores: econômico, social, cultural, político,etc, mas, se examinarmos o assunto com mais seriedade, veremos que a base de tudo está na grande discrepância entre o desenvolvimento moral e o tecnológico.
A educacão e o desenvolvimento moral sempre estiveram a cargo da família, mas esta anda em crise, anda meio desestruturada. Formam-se e desfazem-se famílias sem o aprofundamento das relações e, aqueles que deveriam cuidar da educação das crianças na primeira infância, acabam delegando essa tarefa a outros, por falta de tempo, por necessidade, por falta de estrutura emocional, por egoísmo ou por comodismo. Com isso, as crianças sentem-se perdidas, pois esses cuidadores das crianças, nem sempre possuem a qualificacão necessária para tal tarefa.
O resultado é que as criancas ficam soltas, sem direção e sem estrutura para aprenderem os valores morais e as responsabilidades; ficam sujeitas `as influências dos excessos de apelos das propagandas, internet e até mesmo nas ruas e nas imediações de suas escolas, onde sempre há alguém mal intencionado prestando atenção a elas.
Sem uma base moral, torna-se muito difícil que essas crianças tenham condições de fazerem escolhas adequadas à vida que desejamos a elas e, quando vêm os problemas , acabam os pais indo resolver a situação, talvez movidos por um sentimento de culpa, e com isso, elas acabam sentindo que, sempre que houver problemas, o pai ou a mãe resolvem e com isso, não aprendem a assumir a responsabilidade por seus atos.
Qual seria a saída para podermos reverter esse quadro sombrio que se nos apresenta?
Existem diversas iniciativas, tanto públicas, como privadas, que vem desenvolvendo muitos trabalhos nesse sentido, mas que encontram algumas dificuldades, como a falta de apoios, incentivos e falta de espaço na mídia pois, o que tem dado mais Ibope são as notícias completas sobre a venda por R$ 1,00 das cuecas usadas por um megatraficante, responsável pela destruição de milhares de vida ou todos os detalhes sobre os reality-shows. Talvez seja por isso, que os indiciados do caso Isabella tenham aparecido na TV como se estivessem participando de um Reality-show tentando decidir quem é que vai hoje para o paredão.
"- Ora bolas!!! Me poupem!!!!" . É mais que hora de nos conscientizarmos de nossas responsabilidades sobre a paz ou a guerra que há no mundo. A paz deve começar dentro de nós.
Vamos acordar , arregaçar as mangas e sair ao encontro de quem também quer um mundo melhor, mais humano e justo. Vamos construir uma cultura de paz. Vamos sair da porta da casa dos outros e deixar de acusá-los pelas misérias que há no mundo. Vamos orar e vigiar, a nós mesmos, à nossa consciência , para que possamos ter primeiramente a paz dentro de nós, para sermos, para as nossas crianças, o exemplo da Paz que queremos para o mundo.
Vamos ACORDAR!!!!
Eu quero acreditar que há realmente o despertar de uma nova consciência moral; que há a disposição da sociedade para construir um mundo melhor, caso contrário, passados 2008 anos, ainda não teremos entendido a mensagem de amor que o grande Mestre nos deixou e, corremos o risco (caso ele apareça entre nós) de apedrejá-lo e de o crucificarmos novamente, demonstrando que tudo foi em vão e que não conseguimos dar um passo em direção `a nossa evolução espiritual.

(A elaboração deste texto contou com a colaboração do Dr.Francisco Coelho Filho, da Clínica Francisco)

sábado, 19 de abril de 2008

Xamanismo, Beija-Flor e Cura

Março e Abril têm sido, para mim, meses muito ricos de experiências de amor e cura.
O Dr. Francisco Coelho Filho, de forma muito amorosa, ofereceu-me a possibilidade de utilizar o espaço dele para meus atendimentos de Psicoterapia e de Reiki. Fiquei extremamente feliz, pois esse espaço é repleto de uma energia sutil de amor e cura.
Desde que conheci o Francisco, nossas trocas de experiências têm sido muito construtivas e senti vontade de presente-á-lo com uma placa residencial em mosaico. Quando ele recebeu a placa, perguntou-me porque eu havia escolhido a figura do beija-flor. Naquele momento respondi que, na verdade, eu não havia pensado sobre o significado dessa figura, mas a pergunta ficou ecoando em minha mente.
No dia 12 de abril, participei da II Jornada Xamânica, na Casa do Consolador, que é um espaço espiritualista que frequento e que tem também uma forte energia de amor e cura. Nessa Jornada Xamânica assisti palestras e participei de vivências com três Xamãs: Vitor Hugo - "A Trilha do Curador", Cyro Leão -" O Caminho do Coração" e dra. Monica de Medeiros - "Animal de Poder" e, com a informação sobre o significado dos animais de poder, fiquei sabendo que o beija flor tem uma simbologia de mensageiro da cura, de amor romântico, claridade, graça, sorte, suavidade. Compreendi então que essas informações já estavam comigo, de forma intuitiva, quando escolhi a figura do beija flor para aquela placa em mosaico e que essa Jornada Xamânica da qual eu estava participando era o momento de relembrar não só essa informação, mas também todo um caminho xamânico que decerto já vivenciei em algum tempo e lugar do qual não tenho consciência, mas que ecoa forte dentro de mim, quando se inicia o toque de um tambor...
Kaká Werá Jecupé, um Xamã brasileiro, gravou um CD com cantos e discursos mágicos da tradição indígena brasileira dos tupi-guaranis e, na faixa 10, o canto Maino-I nos fala que o beija-flor foi uma das primeiras formas de manifestação do Pai-criador.
Agora que tenho consciência do simbolismo do beija-flor, espero que todas as pessoas que passem por aquela rua da Vila Madalena e que visualizem a placa no muro da Clínica, possam receber a seguinte mensagem:
" Caso a tristeza se faça presente em sua vida, procure preencher seu coração com a alegria do beija-flor. Não deixe o lado sombra tomar conta de você. E, se sentir que seu coração se tornou duro, magoado e depressivo, procure andar pelos campos, pelas matas, entre as flores e sinta os perfumes e odores que tanto atraem o beija -flor e lhe proporcionam tanta alegria..."
Paz, Amor, Luz para todos!!!

terça-feira, 11 de março de 2008

CONTOS DE FADAS













" Eu me perguntei: "Que mito estou vivendo?" e descobri que não sabia...Por isso decidi conhecer o "meu" mito, e encarei esse desafio como a maior das tarefas...Eu simplesmente precisava saber que mito inconsciente ou pré-consciente estava me formando." (C.G.Jung, The PortableJung)
Qual meu conto de fadas preferido?
Começava assim: "Numa casinha branca, lá no Sítio do Pica-pau amarelo..."
Eu tinha seis anos, meu nome:Lúcia, a menina do nariz arrebitado. Tinha a boneca de pano Emília, o Pedrinho, Visconde de Sabugosa, Dona Benta, tia Nastácia e seus quitutes....Fantasia e Realidade se mesclavam e eu ia descobrindo um mundo novo que falava de aritmética, gramática, história, de folclore, com o saci; de Mitologia, com os Doze trabalhos de Hércules e o Minotauro e também as estórias da tia Nastácia e o Reino das Águas Claras. Naquela época, descortinava-se para mim um mundo repleto de possibilidades.
A premiada escritora infanto-juvenil, Giselda Laporta Nicolelis, em seu livro (para adultos), nos mostra através de uma abordagem junguiana, a importância de se conhecer o nosso conto de fadas preferido e o significado dele para nossas vidas. Nossos contos preferidos nos possibilitam o autoconhecimento e nos proporcionam uma diretriz para a forma com que vamos nos relacionar com o mundo.
O mito nos ajuda em nossa jornada pela vida . "Sempre que os homens procuram por algo sólido que sirva de base para suas vidas, escolhem não os fatos de que o mundo está cheio, e sim os mitos criados em eras remotas pela imaginacão" (J.Campbell - primitive Mythology).
Desde épocas remotas, os homens reuniam-se em volta de fogueiras, contando histórias que foram tecendo os fios dos mitos e das lendas. Eram histórias sobre a criação do mundo, sobre os deuses e sobre os porquês de cada coisa que existe no mundo. Tudo isso servia para que as pessoas tivessem um norteamento, um mapa para cumprirem suas próprias jornadas.
Hoje, com todo o avanço tecnológico que temos `a disposição, com a TV, Rádio, Cinema, Internet, Telefonia, etc., os mitos estão o tempo todo presentes em nossa vida, mas, na correria do dia-a-dia não temos tempo de prestarmos muita atenção a eles, pois tudo tem que ser muito rápido, descartável, que eles acabam se tornando imprecisos e jogados para o mais profundo de nosso Inconsciente e essas histórias e mitos acabam sendo consideradas como fazendo parte só do mundo infantil. A falta de tempo para estarmos `a volta de uma fogueira, caminhando sobre os fios tecidos pelo mundo mítico tem como consequência uma jornada pela vida de forma muito confusa, onde poucos conseguem sair como heróis.
"O herói é o homem ou a mulher que supera, através de muita luta, as limitações de sua história oficial ou pessoal, assumindo formas humanas normais de validade universal...O Herói morre como um homem moderno, mas renasce como o homem eterno e universal".(J.Campbell - O Herói de mil faces)
Aquele que não consegue empreender a jornada do herói e se perde no meio do caminho, acaba se tornando vulnerável `a ditadura do sistema econômico, da moda, do poder, do sexo, da beleza ,perdendo a sua singularidade ,a consciência daquilo que ele é em sua essência. As consequências disso vemos diariamente: stress crônico, doenças do mundo moderno, dependências químicas, bulimia, anorexia, guerras e violências de toda ordem.
É claro que vivemos em uma sociedade e que a aprovação social é muito importante para nós, mas, para sermos pessoas plenamente realizadas, é preciso também que façamos a jornada do herói, que se compõe de muita luta e coragem para que possamos nos conhecer e ampliarmos nossa consciência conhecendo os verdadeiros desejos de nossa alma.
" Não se contente com histórias, com as experiências ocorridas com outras pessoas. Desenvolva seu próprio mito" (Rumi).
Mais que um convite para que possamos acender nossa fogueira e ficarmos `a volta dela contando os "causos", para encontrarmos orientação para iniciarmos a nossa jornada do herói, esse texto é uma homenagem a Monteiro Lobato (com suas obras para o público infantil), a Giselda Laporta Nicolelis, com suas obras para o público infanto-juvenil, com inúmeras palestras em escolas públicas e particulares, a Walt Disney e a todos os escritores, cineastas, poetas e contadores e cantadores de histórias carregadas de mitos, lendas e magias, que ajudam a salvar o sonho e reencantar o mundo.
"...Cada um de nós compõe a sua história e cada Ser em si carrega o dom de ser feliz..." (Almir Sater)

quarta-feira, 5 de março de 2008

MOSAICO


Já faz algum tempo que não escrevo para este Blog. Estive de férias, um período muito bom para recarregar as energias. Voltei, e o mês de fevereiro foi de muito trabalho com mosaico e com meu exercício constante de autoconhecimento. Foi um período de bastante introspecção que me inspirou a escrever um poema sobre o mosaico, mandala e realização pessoal. Arte e psicologia juntas redimensionando o mundo, salvando os sonhos, reencantando o mundo.

MOSAICO

Tudo está como sempre é.
No caos, tudo está como sempre esteve
e sempre estará.
Querido amigo, companheiro de estrada,
que bom que estás comigo agora.
Tua conduta firme, paternal/maternal,
me acalentam agora quando
o caos se revela em sua infinitude.
Essa viagem através do rio caudaloso
é difícil de ser feita sozinha.
Neste barco em que estamos,
enquanto abraças minha fragilidade,
revelo-te toda minha força.
Encontro meu pai, meu amigo,
meu irmão, meu amante;
diversos aspectos de mim mesma.
Descubro em mim a mãe que posso ser,
a irmã, a amiga, a amante.
Tudo está no caos,
assim como por sobre a mesa do "atelier",
cacos de pastilhas de vidro e azulejos coloridos,
depedaçados, ansiando 
pela inteireza da forma,
nas mãos do artífice.
Juntando caquinhos e descobrindo
a melhor disposicão de cada peça,
compondo novas formas:
círculos, quadrados, mandalas.
Passado, presente e futuro
fundindo-se no aqui e agora.
Sei que a viagem é dura e longa,
mas a cada dia há pequenas conquistas.
E está chegando o tempo de celebrar.
Celebrar a vida, o amor, a saúde,
a amizade, a oportunidade.
Celebrar um casamento,
a união de todos meus aspectos revelados.
Ser inteira prá saber te amar.
Ser inteira prá saber ser amada.
E a oportunidade, se houver,
quero segurá-la em minhas mãos;
correr o risco, inovar, transcender.
Amar em todos os níveis,
em todos meus aspectos de mulher.
Viver o romance, amor, desejo, paixão,
parceria, cumplicidade.
Cumprir a realização do destino escolhido,
assim como a peça acabada sobre a mesa,
uma mandala, tal como a realização de um Self.